Estou cansado de cair nos mesmos erros.
Desde quando você é um cristão, há um, cinco, dez anos? Quando você
olha para o teu passado mais distante, quais são os erros que você
enxerga com mais frequência e pontualidade na tua vida?
Ser um Cristão maduro e experimentado não é tarefa fácil.
Mas, o que acontece com a maioria de nós, no que tange a santificação
ao longo dos anos? Muitos começam bem em sua vida espiritual, mas com o
passar do tempo vão acomodando-se a um estilo de vida “morno”.
Inicialmente, ficamos bem dispostos a ir contra o nosso eu, e a combater
com vitalidade todo tipo de erro. É o primeiro amor, as primeiras
obras.
No entanto, com o passar dos anos alguns pecados se repetem, e se
repetem. É uma ira que teima em ficar, é um orgulho que resiste, um
perdão que não chega.
Resultado? Ficamos tímidos pra orar, desencorajados pra ler a palavra
e evangelizar, e por fim desanimados com as próprias lutas.
Porque não nos santificamos como o Senhor nos recomenda, “Sede
santos, como eu sou santo”? Trazemos aqui algumas razões que nos impedem
seguir firmes neste caminho. Mas, ao citar essas possíveis causas, devo
reconhecer que essa luta é minha também. Não estou aqui a apontar
simplesmente erros que eu mesma não me debato. Tenho buscado fazer
reflexões profundas sobre a minha insistência em cometer os mesmos
pecados ao longo dos anos, e desejo compartilhar, aqui, com você.
Veja aqui 3 “razões” que tornam a nossa santificação mais enfraquecida.
Porque tenho um índice elevado de amor próprio.
O movimento aqui é descendente. Inicialmente eu travo batalhas contra
o “eu”, mas vou desistindo lentamente, vou me acomodando e por fim
domesticando e alimentando minhas próprias causas, desço degraus e lá
permaneço na própria zona de conforto. Eu faço o que faço, eu sou o que
sou, pois tenho mil e uma razões para ser assim e agir assim. A culpa
das minhas atitudes são as pessoas ou as circunstâncias.
Finalmente, acabo por refinar e desenvolver um apreço pelo “meu jeito
de ser”. Sou intensa demais, sou perfeccionista demais, gosto de tudo
bem feito, sou sincera demais e não tolero a injustiça. Percebe a
sutileza e o aprimoramento do brio?
Neste ponto da manifestação do amor próprio, os pecados tomam uma
forma cosmética e embelezada, tornando-se difícil dar nomes bíblicos às
nossas atitudes “egocentradas”. Todavia, na bula bíblica a forma correta
de nomear meus pecados são: Não tenho domínio próprio, sou orgulhoso,
ou mesmo intolerante e sem misericórdia.
Indo na contramão do autoengano Paulo diz, “Eu sou o pecador principal”.
Porque os meus pecados são menos graves que os do próximo.
Olhamos ao nosso redor e constatamos que o próximo tem pecados muito
maiores e mais danosos que os nossos. Guerra ao erro dos outros e paz
para a minha “dificuldade”. Me encho de crítica pelo jeito de ser do
irmão, e dou uma trégua confortável para o meu caráter e minha
personalidade.
Sempre fazendo críticas pontuais aos pecados do outro.
Inclusive, a palavra Crítica é, em si, já um julgamento de mérito. E ela
será boa, se eu exercê-la com misericórdia. Ela será má, se executá-la
excessivamente e sem amor.
Contudo, eu não devo desviar a atenção da minha capacidade diária de
cometer pecados, e repeti-los indefinidamente. Segundo Kathlen Norris,
“A maior batalha espiritual não se trava num campo espetacular, mas
dentro do coração humano.” E Cristo diz, “Tire a trave do seu olho…”.
Porque eu acho que, por pior que eu seja, Deus irá sempre me aceitar como sou.
Sim, certamente que a misericórdia de Deus não tem fim. Que Deus é
amor para sempre. Que é fato, Ele não nos retribui segundo os nossos
pecados. Mas, tudo isso deve ser casado com a realidade de que Deus
espera de nós empenho máximo no compromisso de santidade e mudança
através do Espírito Santo. Lembram do que o autor de Hebreus falou?
“Na luta contra o pecado, vocês ainda não resistiram até o ponto de derramar o próprio sangue”. Cap 12.4
Eu sei que você sabe, mas não custa relembrar, pecados antigos e
repetidos geram um caráter torto. A palavra “Reto” nas Escrituras tem
haver com o conserto em uma nova aliança com o Santo. O sangue de Cristo
nos “consertou” para andarmos em linha reta com a Graça Dele.
O pregador Jonh Piper lembra que, “Quem enxerga na cruz uma licença
para continuar pecando não possui a fé que salva. A marca da fé é a luta
contra o pecado”.
E Cristo mesmo avisa, de forma contundente e determinante:
“Não venha me chamar de Senhor, se você não faz o que eu mando!”.
Portanto, continuemos a nos santificar. Deus é Santo e não há nele
treva nenhuma. Não conte com a misericórdia de Deus com pecados
costumeiros, fruto do nosso desleixo espiritual. Certamente que temos
que cultivar o mesmo sentimento do salmista quando disse:
“Ó
SENHOR, ajude-me a tomar cuidado com o que falo; ajude-me a não falar o
que não agrada ao Senhor”. e “ Não permita que o meu coração seja
atraído para o mal”. Sl 141 4,5
Bem falou Esdras em tempos de cativeiro por causa de pecado e desobediência,
“Depois
de tudo que nos tem sucedido por causa das nossas más obras, e da nossa
grande culpa, ainda assim tu, ó nosso Deus, nos castigaste menos do que
os nossos pecados merecem… Voltaremos agora a violar os teus
mandamentos…?”
Que o Senhor nos ajude.